06/05/2015

Classe média e feriado = supermercado (crônica)









Bom, para aqueles que não viajam em  feriados, o que sobrou de opção de distração mais econômica?
Hum, deixe-me pensar...
Baixar filmes, lavar o carro, fazer churrasco, visitar amigos, receber sogro, cunhado, assistir um filminho da hora, com direito a  uma básica pipoquinha, visitar algum parque, cinema.
Mas para a classe média nem sempre tão abastada, o que sobrou?
Hehehe, yes! 
Supermercado!
Dia de oferta, obaaaa!
Aquele tumulto total.
E é hora de achar um carrinho e cadê o moço?
É mais fácil ganhar na mega-sena que encontrá-lo.
Você vira o corredor e dá de cara com um pirralho correndo e atropelando o seu carrinho, logicamente batendo no seu dedinho do pé.
Não podemos esquecer daqueles amigos que não se veem há tempos e resolvem atualizar suas novidades, conversando no cantinho ou meio do corredor.
A vovó e o vovô que caminham devagarzinho com a calculadora na mão, pois com suas ricas aposentadorias, só mesmo comprando programado e minguado.
O cara de terno e gravata, que esqueceu-se que não é dia de trabalho, mas precisa "programar" suas compras pois sua semana será corrida.
Os adeptos do celular.
Esse tipo é interessante, pois não desgruda do danado, nem para pegar as coisas. Aí fica aquela situação "linda": uma mão na orelha e a outra nos produtos que muitas vezes se contorce para pegar, pois afinal precisa ser malabarista e dos bons, para fazer tudo sozinho, sem nada derrubar.
Agora sem ofensas e essa é para todos:
" A mágica gôndola das promoções " - tradução:
- lugar ideal para você levar pisões, braçadas, trombadas, e não esquecendo dos distraídos, que largam o carrinho e nem se lembram que ali não é deles, e detalhe, se você reclamar que ele atrapalha, ainda corre o risco de ser xingado: lógico que isso não se aplica ao  bem-educado.
A padaria. 
Por que será que sempre falta saquinho ou ferrinho para fechá-lo justamente quando você encosta para pegá-lo?
Quando você consegue se deslocar, após cruzar o "trânsito pesado" á sua frente, o produto que você tanto quer não tem mais?
Crianças levadas!
Aquelas cujas mãos nervosas tocam tudo, sem esquecer que esses anjos resolvem brincar na esteira e tudo de aparelhos de ginástica.
Cadê mamãe e papai nessa hora?
O casal indeciso:
- Amor, o que vamos levar para o jantar hoje?
- Ah, benhê, não sei.
- Você é quem sabe.
O curioso: olha tudo, compara, pensa e repensa e leva só uma coca-cola!
Agora não podemos deixar de falar nas colossais filas:
- Eita beleza!
Teste de paciência, simpatia, lugar para fazer novos contatos, ou ser enganado pelo falso tonto que diz estar junto ao fulano, e aponta para o início da fila e pede licença para passar ou vai empurrando rapidamente.
A vovó que dá tudo o que o neto birrento pede, e o que é mais dolorido e tragicômico, quando você, é você mesmo, se lembra que esqueceu após meia-hora na fila, de pegar a manteiga que foi a causa da sua vinda ao supermercado!
O reclamador de plantão que bufa o tempo todo, e parece uma enguia dando choque em quem está á sua frente, trás ou lados.
Enfim chegou a sua vez de ser atendido.
- "Que alegria e alívio!".
- É cartão ou CPF na nota? - pergunta mecanicamente a atendente.
- Precisa carregar o cartão ou é só isso?
- Próximo.
Então meus amigos, lhes digo que esse dramalhão rotineiro pode ser resumido numa só frase:
- Classe média e feriado = supermercado


Elza Ghetti Zerbatto

Texto publicado em 07/12/2012 no Recanto das Letras

Visite minha página:

http://www.recantodasletras.com.br/autores/kunti

Imagem: www.baixaki.com.br

2 comentários:

  1. Rssss...Muito bem detalhada a situação ,Kunti! Adorei te ler, rico em detalhes verdadeiros! Gostei! bjs, chica

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  2. Oi Kunti! Como está?
    Só quem tem sensibilidade e olhar crítico do mundo pode ver estes detalhes tão corriqueiros. Também tenho o hábito de fotografar os lugares, recortando cada ação, como o fez neste texto de caráter sociológico. O olhar distanciado é o que nos permite visualizar a beleza até num supermercado e estranhar a todos para não se tornar um lugar-comum. Crônica de primeira!
    Abraço!

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